Exposição “LOULÉ. Territórios, Memórias, Identidades” em Lisboa

Na próxima quarta-feira, 21 de junho, os Museus Nacional de Arqueologia e Municipal de Loulé inauguram a exposição que vai revelar aos visitantes portugueses e internacionais os mais de sete mil anos de história do território do Concelho. “LOULÉ. Territórios, Memórias, Identidades”. Continuar a ler “Exposição “LOULÉ. Territórios, Memórias, Identidades” em Lisboa”

Mostra do Doce Conventual

O Convento de S. José em Lagoa, os seus claustros e os espaços envolventes vão receber, de 16 a 20 de julho 2014, a “Mostra do Doce Conventual”, com abertura pelas 18 horas.

Sendo um evento popular envolvido num ambiente próprio e recatado, recria o “modus vivendi” no convento nos finais do séc. XIV. Os produtos em exposição e venda são confecionados pelos próprios expositores, sendo que este ano contará com representações do Algarve, Alentejo e Zona Centro, com base no mel, nas compotas, nos licores, no medronho e na melosa. ,

Na área da doçaria é de realçar, entre outros, a presença dos célebres doces “Dom Rodrigo” que a história diz terem sido produzidos, pela primeira vez, no Convento de S. José, em Lagoa, há algumas centenas de anos atrás.

Deve ser notado que o conceito de doce conventual está intimamente relacionado com a difusão do açúcar nas cozinhas dos Mosteiros Portugueses. Segundo reza a tradição e a história, as receitas de doces da gastronomia regional Portuguesa, começaram a ser produzidas a partir dos finais do século XVI nas ordens religiosas de frades e freiras. Algumas das receitas desse bolos “nasceram” em Lagoa.

Fator importante da valorização da Mostra é a componente musical e essa está assegurada por um programa diversificado com animação circulante, ritmos dançantes e concertos.

O Convento de S. José é um belíssimo edifício setecentista, muito bem conservado, fundado entre 1710 e 1713 e considerado um dos mais importantes templos da cultura lagoense, onde se realizam vários eventos desta e outra natureza. É um edifício que faz parte da nossa história arquitetónica e que sobreviveu ao terramoto de 1755. Foi adquirido pela Câmara Municipal de Lagoa a 27 de março de 1924, na altura destinado à instalação de escolas e repartições públicas, tendo beneficiado, ao longo dos anos, de obras de requalificação, restauro e adaptação, tornando-se na sede de grandes eventos culturais do Município.

Vistas: 40 anos do 25 de Abril em Loulé (audio+fotos)

Poucos são os motivos para festejar a liberdade em 2014, boa parte das promessas ficaram perdidas no tempo, embora se mantenham alguns valores conquistados, segundo os próprios intervenientes, desiludidos com os caminhos que o país trilhou desde então, apelam à revolta e indignação contra o sistema democrático que se instalou.
A visão de Otelo Saraiva de Carvalho, Vasco Lourenço e Martins Guerreiro que após quase quarenta anos, estiveram em Loulé a partilhar as suas experiencias e ideias da evolução do mundo actual, assumindo as suas diferenças, as suas convicções, e até os seus enganos.

No Cine-Teatro Louletano, no passado sábado 15 de Março, deu-se início uma série de iniciativas para comemorar o 40ª aniversário do 25 de Abril, anunciada para decorrer ao longo do ano, em diversos locais do concelho, promovido por uma comissão criada para o efeito, com o patrocínio da Câmara Municipal de Loulé, que neste evento inaugural juntava três dos protagonistas da chamada revolução dos cravos, e pela importância dos factos decidimos acompanhar.

Surpreendidos pela adesão da população, faz supor que a organização terá sido planeada apenas para convites e elites. Ao realizar no Cine-Teatro, um espaço curto e muito limitado, sendo o único e (quase) centenário, apesar do imenso investimento na sua recuperação, este não comporta as necessidades da cidade, gerido por um conjunto de regras legais, que tentam impedir o uso espontâneo deste tipo de sala, situação que provocou alguma indignação na hora da entrada.

Questionava-se a comemoração da liberdade!
Alguns dos jornalistas e população interessada, que se deslocou a Loulé para acompanhar o evento, surpreendidos perante as restrições de acesso ao espaço, só viram a situação desbloqueada, quando da intervenção pessoal do presidente do município.

Apagam-se as luzes e soltaram-se as modas do grupo folclórico “As Mondadeiras das Barrosas” (Salir), e animação ficou completa com satírica intervenção do ”Grupo Ao Luar Teatro” (Alte), de um momento cultural que teve início no hall de entrada com o “Ensemble de Flautas do Centro de Expressão Musical de Loulé”.

A cerimónia teve início com o discurso de Victor Aleixo, presidente da Câmara Municipal que defendeu a necessidade de uma maior divulgação dos valores e das conquistas do 25 de Abril aos mais jovens, alertou ainda para a defesa da democracia “dos novos perigos que estão agora a levantar a cabeça”.

Victor Aleixo
Discurso comemorações 40 anos do 25 Abril em Loulé

Carlos Albino apresentou o programa previsto para as comemorações, em que participarão diversas personalidades ao longo do ano, como os ex-presidentes da república Mário Soares, Jorge Sampaio e Ramalho Eanes. A efeméride irá contar com diversas iniciativas, em todas as cidades, vilas e freguesias do Concelho, e com o envolvimento das escolas, instituições e associações culturais e cívicas de Loulé.

O debate da noite foi moderado por António Branco, reitor da Universidade do Algarve, fazendo uma retrospectiva da sua vivencia da época entre África e Paris.

António Branco
Discurso comemorações 40 anos do 25 Abril em Loulé

O tema lançado ao debate sobre esse momento que marcou a História Portuguesa Contemporânea, onde foram evidenciados os acontecimentos, o movimento MFA, as opções, as iniciativas, as utopias, os erros, a participação dos populares, as pressões internacionais, bem como as diferentes visões críticas da situação até à actualidade.

Otelo Saraiva de Carvalho
Discurso comemorações 40 anos do 25 Abril em Loulé

Vasco Lourenço
Discurso comemorações 40 anos do 25 Abril em Loulé

Martins Guerreiro
Discurso comemorações 40 anos do 25 Abril em Loulé

A intervenção do público no debate, e aproveitando a data, levou à memória do levantamento militar falhado das Caldas da Rainha em 16 de Março de 1974, que segundo os intervenientes ainda gera alguma polémica, mas foi decisivo para a preparação da operação de 25 de Abril ter o sucesso que se conhece.
Encerrou a cerimónia o presidente da Assembleia Municipal, Adriano Pimpão, onde não faltou o tradicional “Grândola Vila Morena”, imagens do filme “Capitães de Abril”, distribuindo-se os cravos e bem como cópias da mais antiga Acta de Vereação existente no país, aos participantes.

Paulo Sérgio
Fotografia: Formimagem

As imagens do Evento:

Viver em Loulé há 2000 anos

Arquivo historico Loulé

Sábado, 26 de outubro 2013, pelas 15h00, no Arquivo Municipal de Loulé, a apresentação da Conferência “Da Terra e do Mar: Viver em Loulé há 2000 anos”, proferida por João Pedro Bernardes.

«Com um litoral muito mais articulado do que hoje, onde se destacavam extensos estuários que concentravam boa parte da população e da atividade económica do território, o atual concelho de Loulé apresentava durante o período romano um conjunto de atividades diversificadas centradas na exploração de recursos marinhos e terrestres. Em torno do estuário da ribeira de S. Lourenço distribuíam-se vários núcleos de povoamento dedicados à produção oleira, mas também à mariscagem, pesca e transformação de preparados piscícolas. A exploração e transformação de preparados dos recursos marinhos era, aliás, uma das bases económicas do restante litoral, com um enfoque especial também nos outros dois grandes estuários: o da ribeira de Carcavai e o da ribeira de Quarteira. Se naquele, na atual praia de Loulé-Velho, ficava uma das maiores explorações agrícolas do concelho, complementada por uma ampla atividade pesqueira e industrial em torno da produção e exportação de preparados de peixe, já no estuário da ribeira onde hoje pontua Vilamoura localizava-se a maior povoação portuária do território louletano, muito centrada no comércio marítimo mas também na atividade industrial. Entrando terra dentro ao longo das linhas de água que alimentavam aqueles três estuários, que constituíam as unidades geomorfológicas mais marcantes da paisagem louletana antiga, surgiam depois um conjunto de núcleos de população dispersa e uma ou outra grande exploração agrícola onde a produção agropecuária, dos frutos secos, como o figo e a azeitona, mas também a produção de mel da cortiça e a caça, marcavam a vida local. Loulé, a meio caminho entre a terra e o mar, não era, então, povoação de destaque, já que o grosso da população se distribuía pelo litoral ao longo daqueles estuários.

Do modo de vida das populações que viveram no território do atual concelho de Loulé na época romana, quais as suas atividades e principais povoações, é do que trata esta palestra, que procura traçar um quadro daquilo que hoje se sabe com base na arqueologia mas também a partir das descrições literárias dos autores greco-latinos.» (João Pedro Bernardes)

João Pedro Bernardes é doutorado em Arqueologia pela Universidade de Coimbra. É professor associado com agregação da Universidade do Algarve onde leciona nos cursos de licenciatura de Património Cultural e Arqueologia e ainda em vários cursos de mestrado e doutoramento. Tem participado e liderado em vários projetos de investigação de âmbito nacional e internacional, versando sobretudo temas de Arqueologia romana. Efetuou vários trabalhos de campo e escavações arqueológicas, inclusive no território de Loulé. É o atual Diretor do Departamento de Artes e Humanidades da Universidade do Algarve.

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